terça-feira, 18 de junho de 2013

Contributo: Razões para ir à marcha

1 - Porque vivemos num mundo que - independentemente dos avanços políticos que se façam - continua a ser terrivelmente homofóbico e transfóbico onde a mentalidade popular ainda é a de que as pessoas queer são "seres estranhos" com vidas sexuais ainda mais estranhas e que deus-os-livre de quererem ter filhos!

E se tínhamos alguma dúvida de que a homofobia estava viva e de boa saúde, este último mês e as posições de ignorância que foram tomadas por figuras públicas relativamente à lei da co-adopção, só desmistificaram isso mesmo; continua-se a negar a ciência para se dar lugar a medos e preconceitos que só oprimem e propagam mentiras.

Marcha, porque somos de facto boas mães e pais, caríssimos ignorantes. Existimos com orgulho de não baixarmos a cabeça quando nos dizem que 'só queremos criançinhas para cumprir joguinhos de satisfação pessoais manhosos' quando somos famílias, tão capazes como quaisquer outras, cheias de amor e carinho para dar.

2 - E porque mesmo que não sejamos mães e pais (embora sejamos filhas e filhos), somos indivíduos que precisam e merecem celebrar a sua individualidade num mundo que só nos mostra modelos cisgéneros heteronormativos de amores e de histórias de pessoas que não nos representam. Um mundo onde a violência contra pessoas LGBTQ ainda é a regra e onde a conquista de direitos humanos tanto acelera como desacelera (Rússia!, Hungria!). Um mundo onde activistas ainda são espancados e mortos em plena Europa ocidental só pelo simples facto de existirem (França!).

Porque a violência homo/transfóbica é real e nunca é demais relembrar isso.

3 - Porque, como tão bem sabemos, em alturas de acrescidas dificuldades os que em primeiro lugar ficam à mercê da insegurança são os grupos vulneráveis como o nosso. Porque todos nós conhecemos casos de pessoas que continuam no armário porque se soubesse que eram queer perdiam o emprego / o apoio das suas famílias e isso é algo que não conseguem suportar; por razões emocionais mas também por razões económicas/sociais de vivência practica, bem-estar logístico e independência.

4 - Porque este orgulho que temos não é como o dos "outros". A lógica mantém-se e precisa-se ainda de orgulho em oposição à vergonha e ao silêncio. E não, continua a não ser o mesmo que "orgulho hetero" ou "orgulho branco" de pessoas privilegiadas que nunca sentiram vulnerabilidade proveniente de terem uma identidade de género/sexualidade incompatível com o status quo.

5 -  Porque é importante (essencial) celebrar a diversidade de tod@s, e relembrar que formas alternativas de viver, de existir e de nos expressarmos só podem ser coisas boas. Desconstruir o binarismo de género e a construção fechada, limitativa e tradicional "do homem" e "da mulher" é urgente. Formas não inclusivas de falar e ver o género apenas nos prendem em caixas que nos limitam a forma de ver e de interagir com o mundo; coisa que que em última instância justifica o silêncio, a opressão e violência para com todos aqueles que têm uma forma de se expressar menos "tradicional".

Porque a visibilidade trans* também é um caminho para a igualdade de género e para a desconstrução da
homofobia. E porque este grupo ainda é o grupo mais vulnerável e o mais sujeito a constante violência.

6 -  E, finalmente, porque a marcha é também uma festa. Uma festa cheia de cores, força e entusiasmo. Uma prova viva de felicidade e comunidade. Uma festa de pessoas que vivem por resistir e resistem por viver. 

Porque uma vida feliz e plena é uma vida corajosa e aberta. E porque "se não posso dançar, esta não é a minha revolução" (Emma Goldman)

Somos as cores todas do arco-íris e andamos ao sol de mãos dadas e braços abertos. E neste sábado queremos andar de mãos dadas e braços abertos contigo.
 

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