quinta-feira, 11 de abril de 2019
Instagram: a nova rede social da Marcha do Orgulho de Lisboa!
A Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa chegou ao Instagram!
Até à 20ª Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa, faremos uma viagem fotográfica às 19 edições passadas que marcaram Lisboa.
Não perca a oportunidade de rever estes momentos connosco em instagram.com/lgbtilisboa/.
quinta-feira, 14 de março de 2019
Regulamento Interno e de Participação da Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa
Âmbito
1. O presente regulamento aplica-se a todas as pessoas e
organizações pertencentes à Comissão Organizadora (CO) da Marcha do Orgulho
LGBTI+ de Lisboa (MOL), bem como às entidades participantes na mesma.
Princípios
2. A MOL tem
carácter político, comunitário, interassociativo, voluntário e não
comercial, decorre em Lisboa, a cada
ano, no mês de Junho (por referência a 28 de Junho, data a que se assinala o
aniversário do motim de Stonewall), e pretende visibilizar, celebrar e defender
a diversidade relacional, das orientações e características sexuais e das
identidades e expressões de género, bem como combater o conjunto das
discriminações.
Comissão Organizadora
3. A preparação da MOL é assegurada por uma Comissão
Organizadora (CO), composta por representantes - indicados anualmente - de
organizações que se identificam e comprometem com os objetivos e posições dos
manifestos anuais da MOL, com a sua divulgação ativa, com uma participação
leal, solidária, regular e empenhada na CO e nas suas atividades, com o
pagamento de uma quota anual de montante decidido no início da preparação de
cada edição e com uma presença visível na própria Marcha.
3.1. Entende-se
por organizações as entidades formais ou informais de caráter social, cultural,
político (não-partidário), religioso, filantrópico, educacional, de saúde,
filosófico ou profissional - incluindo grupos formais ou informais de
trabalhadorxs - sob a forma de instituições, associações, coletivos, grupos,
sindicatos, sites, ou outras, com ou sem personalidade jurídica, com
atividade no âmbito da defesa dos direitos humanos e que combatam todas as
formas de discriminação fundadas na orientação sexual, características sexuais
ou identidade de género, pugnando pelo respeito do conjunto dos Direitos
Humanos expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
3.2.
Anualmente, no início da preparação de cada MOL, e em reunião cujo assunto faça
parte da Ordem de Trabalhos previamente divulgada, as organizações transitadas
da MOL anterior deverão aprovar por unanimidade uma lista de organizações e,
caso o desejem, pessoas a convidar para integrarem a CO.
3.3. As
organizações e pessoas contactadas deverão aceitar ou recusar o convite no
espaço de 30 dias após o envio. A ausência de resposta será tomada como recusa.
3.4. Quando uma
organização que não tenha sido convidada se oferecer para pertencer à CO, a CO
deve pronunciar-se no espaço de 30 dias. A sua presença na CO deve ser aprovada
por unanimidade.
3.5. As
organizações poderão integrar a CO com um ou mais elementos, desde que estes
participem ativamente nos trabalhos.
3.6. No início
de cada reunião, cada pessoa dirá que organização ou organizações representa.
4. A CO pode decidir incluir nas suas reuniões, na
qualidade de colaboradoras, por um período específico, renovável, pessoas não pertencentes às
organizações da CO cuja intervenção e/ou potencial contributo sejam
reconhecidos em reunião da CO pelas organizações presentes.
4.1. As pessoas
colaboradoras poderão participar nas reuniões da CO se a sua presença for
aprovada pela mesma por unanimidade.
4.2 A CO pode
decidir que determinado grupo de trabalho pode convidar pessoas individuais a
participar, na qualidade de colaboradoras.
4.3. As pessoas
colaboradoras poderão pertencer à(s) mailing list(s) da CO ou grupos de
trabalho sempre que os mesmos, respetivamente, assim o entendam.
5. Sem prejuízo de recurso a apoio técnico especializado
que se considere necessário e que não esteja disponível de forma voluntária,
todas as tarefas de organização e dinamização da MOL são asseguradas de forma
voluntária pelos membros da CO e pessoas colaboradoras. A única função
permanente na organização da MOL é a de tesouraria, assumida rotativamente,
pelo período de um ano, renovável por mais um, entre as organizações da CO que
têm personalidade jurídica e contabilidade organizada.
6. À Comissão Organizadora compete:
6.1. Deliberar
sobre a data, percurso e condições práticas e logísticas de promoção e de realização
da MOL e proceder à sua execução; definir a localização, na Marcha, de cada
entidade ou bloco de entidades, bem como dos recursos à disposição da Marcha,
garantindo equilíbrio na distribuição de meios entre diferentes zonas do
desfile; evitar a desproporção entre os meios próprios da Marcha e os de
entidades participantes; garantir a salvaguarda do espaço próprio e
visibilidade de todas as entidades participantes na Marcha.
6.2. Promover
ativamente o crescimento sustentado da MOL e dos seus meios, nomeadamente
através da angariação de apoios e/ou patrocínios.
6.3. Aprovar e
implementar estratégias de comunicação e porta-vozes, assim como a plataforma
política da MOL, expressa através do seu Manifesto.
6.4. Promover
iniciativas que contribuam para a promoção e divulgação dos objetivos e dos
princípios da MOL.
6.5. Promover
atividades com o objetivo de angariar donativos que permitam a realização da
MOL.
6.6. Decidir
sobre formas de organização, podendo criar grupos de trabalho em que delegue
competências.
7. A plataforma de trabalho primordial da CO é a reunião
presencial entre as entidades que dela forem parte ativa. Como complemento, é
utilizada uma mailing list.
7.1. As
decisões deverão ser tomadas nas reuniões. Apenas poderão ser tomadas decisões
na mailing list se tal tiver sido expressamente aprovado em reunião
presencial.
7.2. A mailing
list funcionará primordialmente como local de debate prévio, preparação das
reuniões, divulgação das atas, de materiais e documentos, etc.
7.3. A CO deve
decidir um calendário de reuniões ordinárias. Se tal não for possível, deve
privilegiar-se a marcação e confirmação de datas de reunião através da internet
(ex. mailing list ou doodles), permitindo-se, assim, a
participação de qualquer coletivo que não possa ter estado presente em
determinada reunião, sem prejuízo de se consultarem disponibilidades e/ou se
proporem datas nas reuniões presenciais.
7.4. Em função
da inviabilidade de participação presencial regular de organizações ou pessoas
em função de dificuldades materiais, de saúde ou outras, a CO pode deliberar a
aceitação da respetiva participação e voto por via da mailing list.
8. A CO da MOL rege-se por um princípio de liberdade de
opinião. Na tomada de decisões deve sempre procurar-se o consenso. Na falta
deste, as decisões serão tomadas por maioria, excetuando-se a aprovação de
novos membros para a CO ou novas pessoas colaboradoras, bem como do Manifesto e
lema anuais, e ainda as decisões respeitantes aos meios a utilizar pelas
entidades comerciais/com fins lucrativos ou à aceitação/negociação de
patrocínios, que exigem necessariamente unanimidade.
8.1 Em caso de
votação, cada organização da CO presente na reunião tem direito a um voto.
8.2. As pessoas
convidadas a participar na CO a título individual não terão direito a voto.
8.3. Não existe
delegação de votos.
9. As organizações na CO comprometem-se ao cumprimento
quer dos compromissos a priori assumidos, quer das tarefas pelas quais
se responsabilizem no período de preparação da MOL, quer ainda pelo respeito
das regras do presente Regulamento.
Participação na MOL
10. O desfile da MOL é aberto à participação de todas as
pessoas, grupos formais ou informais e entidades que se identifiquem com os
objetivos e posições assumidas no manifesto anual da MOL e cuja prática não
contradiga os mesmos princípios.
11. Os grupos formais ou informais e entidades devem
manifestar interesse à CO, até 30 dias antes da realização de cada MOL, da sua
vontade em participar na manifestação, através do e-mail oficial da MOL,
indicando: designação, Número de Identificação de Pessoa Coletiva (se
aplicável), morada da sede (se aplicável), pessoa de contacto, meios e materiais
(como viaturas, equipamentos sonoros ou meios de grande porte) que prevê
utilizar e a razão por que se pretende associar à causa LGBTI+ e à MOL.
11.1.
Considera-se tacitamente aceite a participação de um grupo ou entidade caso não
lhe seja comunicado qualquer impedimento pela CO, até 15 dias depois da
manifestação de interesse ser partilhada na mailing list.
11.1.1.
Qualquer organização da CO que pretenda opôr-se à participação de um grupo ou
entidade, deverá comunicá-lo às restantes através da mailing list,
ficando automaticamente suspensa a participação, devendo a suspensão ser
comunicada ao respetivo grupo ou entidade por email.
11.1.2. Em caso
de manifestação de oposição à participação de algum grupo ou entidade por parte
de uma organização da CO, deve esta deliberar sobre essa participação na
reunião seguinte da CO.
11.2. Consoante
os meios que pretendam utilizar, como forma de compensar o esforço logístico da
CO para a sua integração na Marcha, as entidades com fins lucrativos
comprometem-se a doar à MOL, no mínimo,
os seguintes valores:
• Motociclo com
ou sem sidecar, triciclo,
quadriciclo, veículo ligeiro, tuk tuk ou semelhante: 250€
• Veículo ligeiro
de mercadorias, carrinha de caixa aberta ou mini bus: 500€
• Veículo pesado
de passageiros ou ligeiro com atrelado (autocarros, roulotes, auto
caravanas e semelhantes): 750€
• Veículo pesado
de mercadorias (camião ou semelhante): 1000€
11.2.1.
Qualquer entidade pode solicitar a dispensa de doação à CO, mediante a apresentação
de um pedido fundamentado, o qual será apreciado na reunião da CO seguinte.
11.2.2. Cabe à
CO decidir, por unanimidade, pela exoneração do pagamento dos donativos.
11.2.3. Às
“empresas LGBTI+” será pedida a contribuição de apenas 50% dos donativos.
11.2.3.1.
Entende-se por "empresa LGBTI+" uma sociedade, em toda a sua variante
(unipessoal, anónima, da economia social, etc), que explora qualquer ramo de
indústria ou comércio, orientada para servir e explorar preferencialmente
necessidades específicas de pessoas LGBTI+" (como sejam a necessidade de
espaços seguros de informação, socialização, alojamento, afirmação identitária
através de bens de consumo, entre outras).
Financiamento
12. A MOL financia-se anualmente através de donativos,
do pagamento de uma quota anual por cada organização que integra a CO e/ou
através da angariação de apoios institucionais.
São permitidos patrocínios recebidos diretamente por organizações que
integram a CO para reforço de visibilidade e impacto reivindicativo da MOL, de
acordo com o âmbito e princípios da mesma, tal como disposto neste regulamento.
12.1. Em casos
justificados (por exemplo, de insuficiência económica) a CO pode decidir
isentar uma organização do pagamento da quota anual, não podendo a organização
visada exercer direito de voto nesta decisão.
12.2. A CO pode
aceitar ou procurar ativamente propostas
de patrocínio por parte de entidades
comerciais/com fins lucrativos ou outras, sempre de acordo com o âmbito e
princípios da MOL, tal como disposto neste regulamento. Contudo, as condições
e/ou contrapartidas dos mesmos serão sempre alvo de avaliação por parte da CO,
devendo ser aprovadas caso a caso e por unanimidade.
12.3. Qualquer
organização pode aceitar patrocínios em fundos ou género destinados a seu uso
próprio na Marcha.
13. As organizações da CO poderão promover iniciativas
autónomas de divulgação e/ou angariação de fundos para a MOL, em coordenação
com a CO. As iniciativas autónomas são da responsabilidade das entidades
promotoras e o uso do logótipo e designação da MOL, assim como conteúdos
gráficos associados, estão dependentes de aprovação da CO.
Disposições Finais
14. Este regulamento apenas pode ser alterado em reunião
da CO expressamente convocada para o efeito por, no mínimo, dois terços das
organizações que integrem a CO no ano em curso, devendo aí ser aprovado por
maioria simples. Para haver quórum, nessa reunião deverão estar presentes, no
mínimo, 50% + 1 das organizações que integram a CO no ano em curso.
15. Em caso de omissão no presente regulamento, cabe à
CO deliberar sobre o assunto em causa.
16. Uma vez aprovado na sua versão final, o presente
regulamento será difundido publicamente pela CO e anualmente divulgado, com as
respetivas atualizações.
Aprovado a 15 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 4 de abril de 2018
19ª Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa - 16 de junho
A Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa irá novamente colorir as ruas de Lisboa no dia 16 junho de 2018, a partir das 17h. Na sua 19ª edição, a MOL , abraça a inclusão e a representatividade das pessoas intersexo , pelo que o evento passa a chamar-se Marcha do Orgulho LGBTI+. Tal como nos anos anteriores, será organizada por um conjunto de associações, núcleos estudantis e coletivos informais, que convida Lisboa a marchar, do Príncipe Real à Ribeira das Naus.
No ano de 2018, é seguro dizer que muitos foram os direitos conquistados pela comunidade. Porém, não devemos cair no erro de pensar que "todo o trabalho já está feito". A MOL 2018 tem como objetivo principal relembrar os decisores políticos, a sociedade civil e a opinião pública que há muitas questões ainda por resolver. Nomeadamente, no acesso à saúde, na proteção contra discriminações, na autodeterminação das identidades de género e na solidariedade internacional para com a comunidade LGBTI+ em todo o mundo.
A comissão organizadora da MOL pretende sensibilizar Lisboa e o país para o facto de ainda se verificar muito por fazer no que toca à saúde sexual das pessoas trans e intersexo no âmbito do Serviço Nacional de Saúde. Para além disso, é evidente a persistência de uma discriminação estrutural à comunidade LGBTI+, pelo SNS e outros serviços públicos. Verifica-se uma total e transversal ausência de cuidados de saúde específicos que reflitam a realidade, as vivências e as necessidades de saúde da população lgbti+. Assim sendo, a MOL 2018 não deixará esquecidas as pessoas que não puderam dar sangue por serem LGBTI+. Pretende ainda sensibilizar os decisores políticos para a necessidade de atribuir integralmente a autodeterminação da identidade de género a todas as pessoas, emancipando-as da decisão arbitrária de médicos. Por fim, pretende também demonstrar a sua solidariedade com as vítimas de ataques à comunidade LGBTI+ que se têm vindo a agravar um pouco por todo o mundo durante o último ano.
A 16 de junho, todas as pessoas estão convidadas a ocupar as ruas de Lisboa. A MOL será não só um evento de celebração das conquistas alcançadas mas também de alerta para aquelas que ainda precisam de ser. Lisboa está convidada para um dia cheio de luta, festa e ação!
No ano de 2018, é seguro dizer que muitos foram os direitos conquistados pela comunidade. Porém, não devemos cair no erro de pensar que "todo o trabalho já está feito". A MOL 2018 tem como objetivo principal relembrar os decisores políticos, a sociedade civil e a opinião pública que há muitas questões ainda por resolver. Nomeadamente, no acesso à saúde, na proteção contra discriminações, na autodeterminação das identidades de género e na solidariedade internacional para com a comunidade LGBTI+ em todo o mundo.
quinta-feira, 1 de junho de 2017
Manifesto da 18ª Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa
Autodeterminação do género, autodeterminação do corpo para todas as pessoas trans
Manifesto da Marcha do Orgulho LGBT - Lisboa 2017
Estamos nas ruas pela 18ª vez, na que é a maior e mais participada Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa.
Estamos aqui porque queremos mostrar toda a nossa diversidade. Somos pessoas trans, intersexo, lésbicas, bissexuais, gays, assexuais, pessoas de todas as origens étnicas e nacionais, requerentes de asilo, pessoas com diversidade funcional, com deficiências, pessoas que exercem trabalho sexual, pessoas de várias religiões e crenças, pessoas com maior ou menor segurança económica, com vidas mais ou menos precárias, pessoas que têm diferentes modelos relacionais e familiares, pessoas idosas e jovens, pessoas arromânticas, pessoas que estão em relações poliamorosas e não-monogâmicas consensuais. Somos pessoas com Direitos inalienáveis.
Estamos aqui porque, e independentemente da nossa orientação sexual, identidade ou expressão de género ou orientação relacional, somos pessoas que querem contrariar e que recusam um sistema de regras e de papéis rígidos impostos pela nossa sociedade, um sistema binário e hetero-mono-normativo que nos limita e nos reprime. Celebramos as nossas diferenças e a interseção das nossas várias identidades.
Exigimos a inclusão da identidade e a expressão de género no artigo 13.º da Constituição.
Estamos aqui por muitos motivos – mas este ano especialmente porque exigimos a despatologização das identidades trans. 45 anos depois da despatologização da homossexualidade urge despatologizar as identidade trans. Estamos aqui porque exigimos a autonomia de todas as pessoas na definição de si próprias, em todas as áreas da vida em sociedade. Não podemos permitir que a autonomia das pessoas trans, na livre vivência dos seus corpos, continue restringida pelo controlo médico. Não esquecemos os problemas com as cirurgias no Serviço Nacional de Saúde – que têm sido objeto de notícias – e exigimos cuidados (de saúde mental, hormonais, cirúrgicos, e outros) éticos, de qualidade, atempados, e gratuitos. Estamos aqui porque exigimos que os cuidados de saúde no nosso país respeitem a diversidade das nossas identidades.
Estamos aqui para que as vozes trans sejam ouvidas; para que os discursos sobre estas pessoas deixem de estar sob a tutela de supostxs especialistas. As pessoas trans sabem quem são e de que precisam. Chega de paternalismos!
Continuaremos a vir para a rua enquanto houver mutilações à nascença feitas a crianças intersexo, enquanto as pessoas intersexo tiverem as suas variações do desenvolvimento sexual patologizadas e os seus corpos submetidos a "normalização" hormonal e mutilações sem consentimento informado. Nem mais uma criança mutilada!
Continuaremos a vir para a rua enquanto a saúde continuar longe de ser para todas as pessoas, e enquanto o género continuar a pôr em causa o acesso à nossa saúde sexual e reprodutiva.
Nada mudou desde o ano passado: o preconceito continua a estar na base dos critérios estigmatizantes, discriminatórios e errados que insistem em querer vedar a doação de sangue a todos os “homens que têm sexo com homens” e em impedir as pessoas de recorrer com confiança e com segurança a profissionais do SNS.
As estratégias integradas de prevenção do VIH excluem ainda o acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP) e são ainda muito poucas as estratégias governativas de combate à discriminação e ao estigma associados ao VIH.
Estamos aqui porque dizemos não à discriminação, ao preconceito e ao bullying nas escolas e espaços afins, incluindo os espaços de educação não-formal.
Estamos aqui porque queremos um quadro legal que reconheça a gravidade dos crimes de que somos vítimas, que reconheça as motivações discriminatórias de quem os pratica, e que conduza a práticas de investigação e registo adequadas e imparciais. Queremos um sistema judicial que nos veja e nos proteja, queremos profissionais de confiança para que possamos viver em plenitude e segurança.
Estamos aqui porque queremos igualdade e proteção não só em Portugal mas em todo o lado e para todas as pessoas. Queremos viver num país que respeita as suas obrigações internacionais de Direitos Humanos e que as relembra e exige a outros países. Queremos a proteção de todas as pessoas em todos os lugares. Não podemos ficar inertes e em silêncio com os assassinatos constantes de mulheres trans no Brasil, com as perseguições milicianas a pessoas com sexualidades e expressões de género não normativas na Rússia e nos seus protetorados, com perseguições, violações "corretivas" de mulheres lésbicas e bissexuais na África do Sul, raptos e torturas de tantxs de nós no Uganda, com a ameaça de penas de morte e de prisão em tantos países.
De Trump a Putin, do Zimbabué à Arábia Saudita, das igrejas evangélicas brasileiras ao Daesh, das extremas-direitas europeias a Israel, as pessoas LGBT são hoje sistematicamente instrumentalizadas para efeito de propaganda, tanto quando são tornadas bodes expiatórios, ou quando discursos pretensamente contra a homofobia são usados para legitimar o ódio contra outras comunidades - como as pessoas migrantes, refugiadas, muçulmanas - ou ainda quando a alegada defesa dos direitos LGBT serve como cortina de fumo para ocultar outros atentados sistemáticos contra os direitos humanos.
Gritamos bem alto: a solidariedade (e o ativismo) com todas as pessoas e grupos perseguidos, a intransigência na defesa da universalidade dos Direitos Humanos, são hoje, mais que nunca, os instrumentos que nos permitirão defender os nossos direitos e as nossas vidas!
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Marca na agenda!
A 18ª Marcha do Orgulho Lésbico, Gay, Bissexual e Trans de Lisboa terá lugar no dia 17 de junho!
Marquem nas agendas e juntem-se a nós!
Marquem nas agendas e juntem-se a nós!
Fotografia de Luísa Cativo
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Manifesto da 17ª Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa
Celebrar
as diferenças, transcender o género!
Manifesto da Marcha
do Orgulho LGBT - Lisboa 2016
Saímos à rua em Lisboa pela 17ª
vez para marchar com cada vez mais orgulho em transcender o
género. As pessoas lésbicas, gays, bissexuais e trans, conhecem bem
a violência desse sistema de regras e de papéis rígidos, um sistema de
binarismos, proibições e punições que nos limita e que nos quer dizer quem
somos, o que somos, como nos devemos expressar ou com quem e como nos devemos
relacionar. Saímos à rua para mostrar que recusamos a repressão da diversidade
de género e que vamos continuar a transcender a opressiva norma binária porque celebramos todas as nossas diferenças!
Ao assinalarmos uma década sobre
o assassinato de Gisberta, no Porto, saímos à rua também em Lisboa para
recordar que a violência é usada para silenciar as nossas diferenças. Saímos à
rua porque é urgente dar prioridade aos direitos das pessoas
trans.
TRANScender o género é
despatologizar as identidades trans e privilegiar a autonomia de todas as
pessoas trans na definição de si próprias, quer na lei, quer na saúde, quer na
sociedade. É afirmar a necessidade de incluir a identidade e a expressão de
género no artigo 13º da Constituição. E é exigir os cuidados de saúde
competentes que respeitem essa autonomia, incluindo finalmente cirurgias com
garantias de qualidade no SNS.
Mais: transcender o género é
recusar as mutilações à nascença feitas a crianças intersexo, uma aberrante
violação de Direitos Humanos perpetrada em nome da normalização do sexo-género.
Saímos à rua para uma vez mais
chamar a atenção para a saúde, que ainda está longe
de ser para todas as pessoas. Porque o género continua a pôr em causa o acesso
à saúde sexual e reprodutiva.Porque o preconceito sempre assente no género está
também na base dos critérios estigmatizantes, discriminatórios e errados que
continuam a vedar a doação de sangue a todos os “homens que têm sexo com
homens”. Porque a discriminação das pessoas LGBT no acesso à saúde continua a
impedi-las de recorrerem com segurança a profissionais de um serviço público
tão fundamental. Porque continuamos a precisar de estratégias integradas de
prevenção do VIH que incluam o acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP), sempre
a par de estratégias de combate à discriminação e ao estigma associados ao VIH.
Saímos à rua para recusar todas
as violências que os papéis de género continuam a
impor: os crimes de ódio que são cometidos contra nós e que continuam a
acontecer em silêncio, o bullying nas
escolas mas também em casa ou no local de trabalho, os suicídios de quem sofre
por se afirmar ou por não se poder
afirmar. Acabar com toda a violência da discriminação só é possível
transformando a sociedade, para o que são fundamentais a intervenção política,
a educação sexual, a educação para a cidadania, a sensibilização e formação
para a diversidade alargadas.
Saímos à
rua para mostrar que somos pessoas com uma enorme diversidade: pessoas trans,
pessoas de todas as origens étnicas e nacionais, requerentes de asilo, pessoas
com necessidade especiais, pessoas que exercem trabalho sexual, pessoas de
várias religiões, pessoas que têm diferentes modelos relacionais e familiares,
pessoas idosas e jovens, pessoas arromânticas, assexuais, bissexuais, lésbicas,
pessoas que estão em relações poliamorosas e não-monogâmicas consensuais, mas
sempre pessoas com Direitos Humanos inalienáveis. Saímos à rua para celebrar as diferenças e dizer que cada pessoa tem que
poder ser reconhecida na interseção das suas várias identidades – e ter
direito a todos os direitos.
Saímos à rua para celebrar
vitórias legais que já alcançámos e afirmar as que estão por conseguir: nossa
luta está só a começar.
Saímos à rua em Lisboa, pela 17ª
vez, para dizermos em conjunto que continuaremos a lutar, com cada vez
mais força, que é a força de todas as nossas diferenças.
Saímos à rua para marcharmos com
orgulho em CELEBRAR AS DIFERENÇAS e TRANSCENDER O GÉNERO!
Subscrevem:
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