quarta-feira, 19 de junho de 2013

Contributo: GAT


Os contextos de crise tendem a ser propícios ao ressurgimento de preconceitos e discriminações. São também estas as alturas de cortes nos serviços de saúde e apoio social, deixando ainda mais desprotegidas as populações mais vulneráveis e as minorias. A comunidade LGBT não é exceção. Foi este o grupo que no passado liderou e implementou as primeiras campanhas de prevenção do VIH e se organizou para financiar a investigação e para forçar a disponibilização de tratamentos eficazes para o tratamento do VIH. É importante que, nesta época de crise, continue a ter um papel ativo nas políticas relacionadas com o VIH, a prevenção, os tratamentos e o estigma em relação a pessoas que vivem com o VIH.

Em Portugal os homens que têm sexo com homens são uma das populações mais afetadas pelo VIH. Embora tenham geralmente relações sexuais mais seguras (usam mais o preservativo do que a população em geral), os homens que têm sexo com homens são uma comunidade de dimensões reduzidas e, como tal, o vírus propaga-se com maior rapidez. Além disso, o sexo anal comporta maiores riscos que outras que outras práticas sexuais. Em Portugal, o número de casos diagnosticados neste grupo aumentou 50% na última década e o número de diagnósticos na fase assintomática duplicou nesse período. Esta tendência para o crescimento da infeção não se observa noutros grupos e estima-se que uma em cada cinco pessoas não saibam ser portadoras do VIH.

Assim, torna-se urgente a defesa do acesso universal à informação sobre métodos de prevenção da infeção pelo VIH, ao diagnóstico precoce, aos tratamento e serviços de apoio feitos para responder às necessidades dos homens que têm sexo com homens e das mulheres trans. A par disto, importa garantir também a existência de respostas adequadas à situação dos migrantes, às pessoas que usam drogas, aos reclusos e trabalhadores do sexo, não esquecendo nunca que as orientações sexuais e as identidades de género não-normativas são transversais a toda a sociedade, que as opressões se sobrepõem e afetam sobretudo as mulheres (cisgéneras e trans), as pessoas que vivem com o VIH e minorias sexuais em geral.

Saímos à rua no sábado por saber que é necessário resolver a inadequação das estruturas de saúde em relação à população homo, bi e trans. Parte da população LGBT afasta-se dos cuidados médicos por receio de discriminação e/ou por não sentirem as suas necessidades reconhecidas. A expressão da orientação sexual e identidade de género dos utentes é essencial para uma boa avaliação das suas necessidades ao nível da saúde sexual. 

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